quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

_NACOIA

No silêncio e ainda
A procura de um sinal
Como se dele viesse a cura
Ou de sua promessa que é o amor
Invento alegria
Antes da página aberta













imagem: Cabeça de Sátiro - Leandro Figueiredo

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


Conhecer pelo desejo de saber é possível a partir do prazer de descobrir no que se vê algo que se vive.
A arte, fruto de uma experiência, é capaz de sensibilizar um outro que vê a obra, despertando-o ao mundo simbólico. Deste modo, a imagem para a arte é em si uma elaboração daquilo que pulsa no humano.
Saber sobre arte é saber sobre si mesmo no contexto em que se vive, pois descobrindo que uma obra de arte é morada da história que foi e está sendo deixada como herança a quem a ela tem acesso, descobre-se elementos que vão se estruturando na vida do sujeito que se permitiu sensibilizar por ela. Assim, conhecer e transmitir arte em seus processos e seus diálogos com a Estética, campo da filosofia que se reserva a ela, ou saberes como o da psicanálise é colocar para o sujeito noções para que ele possa estabelecer associações entre ele e o outro, entre ele e o Mundo.

imagem: A Maselhesa - François Rude, 1833-36 (Arco do Triunfo, Paris)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Rude

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

boa esperança


O martelo que bate
faz uma nova morada
O chicote que come
leva uma outra toada
São os dois lados
de uma mesma jangada
que sem querer
o rio faz navegar

Dói romper a semente
Pra vingar uma flor

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Poema-conto

Aquelas árvores sempre intrigaram os transeuntes
Os meninos curiosos perguntavam ao avô
Curiosos também ficavam os biólogos
o que na vida, teria feito aquilo com aquelas árvores?

Nós da história quem sabíamos
dos nés que nos homens concluíam
quando neles as questões suscitavam

Intrigavam os nós
que notras árvores como aquelas não havia

Nos nós residia o tesouro da dúvida

Como é que numa árvore como esta
haveria de existir estes nós?

A revelação veio, claro, da história
de um ourives desprendido e arteiro
dos tempos dos garimpos do velho monte

Quando pequenas eram as mudas
alianças de ouro foram nelas colocadas
Enquanto as árvores foram crescendo
suas banhas recobriam-nas deixando dúvidas nos tesouros

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Origame

no teu futuro
o meu desejo
entorno de superfície

no teu branco outro plano
lírica dobradura
nas dobras de teus anseios

no olho
tua história
direta como feixe de luz

onde então te escondes
mulher
que também sei
desejas

domingo, 7 de dezembro de 2008


aristóteles já dizia que a imitação é algo do humano. Todas as manhãs em que não acordo muito tarde, percebo que os pássaros, principalmente os pardais, são seres falantes tais como as dondocas dos salões de beleza; lá cantam as novidades, ditos fuxicos-fofocas, dos amores, prazeres, sucessos e sonhos que almejam alcançar.

Imagem: Fernand Hodler - Day I, 1899-1900

sábado, 6 de dezembro de 2008

O que tenho a dizer
estava escrito e não li
O que tenho a dizer
ainda vão editar
O que tenho a dizer
está cravado no chão
O que tenho a dizer
está plantado no ar

O que tenho a dizer
se repete já ouvi
O que tenho a dizer
não cansou de escutar
O que tenho a dizer
está calado na flor
O que tenho a dizer
está gritando de dor

O que tenho a viver
é a pedra no chão
O que tenho a viver
é o tao e o cipó
O que tenho a viver
é o vinho e o pão
O que tenho a viver
grão de areia já é

Que branca, que branda essa clareira no céu: iluminando, ainda que tarde, tuas curvas
imagem: Charles Maurin - Maternity, 1893